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Nossa História

De Hotel Florilda à Estalagem das Casuarinas através de três gerações de dedicação ao turismo em Itaipava

No século XVlll os tropeiros que iam de Minas Gerais para o Rio de Janeiro, carregando riquezas extraidas da província Mineira, viajavam pelo Caminho Novo. Ao longo do Caminho Novo foram surgindo povoados, entre eles Pedro do Rio que era vizinho à antiga Fazenda Sumidouro. Havia, na região, fazendas que , aos poucos, foram sendo sub-divididas e dando origem a sítios e a casas de campo. Foi isso que aconteceu com a antiga Fazenda Sumidouro, muito conhecida na época dos tropeiros que depois de dividida, deu origem à Granja Império, de propriedade do Comandante Fernandes. Em frente à fazenda, passava o trem da Leopoldina Railway, a primeira estrada de ferro com cremalheira construida no Brasil, com sistema riggenbach, que facilitava a subida da serra. Em 1938, a granja Império foi repartida em tres glebas. Nesta ocasião, meu avô, José Xavier de Mello, comprou o terreno onde ficava a casa principal. As outras duas partes foram compradas por João Claudino de Oliveira Cruz e por Bezerra Cavalcante. O terreno adquirido por meu avô, fazia limite com as terras do Castelo (a direita e acima) e com o terreno e casa do General Cruz (a esquerda).

Não há como contar a história do hotel, sem contar a de meu avô. Filho de uma professora e de um encarregado de usina de açúcar, meu avô ficou órfão aos 15 anos. Dois anos depois, em 1902, chegou ao Rio de Janeiro, vindo de Maceió, (onde havia nascido) em busca de um futuro melhor. Chegou com 9 mil réis, para estudar e tentar trabalhar no comércio. Como os homens de bem naquela época usavam bengala, meu avô, aos 17 anos de idade, gastou 7 mil réis para comprar uma bengala e assim começar sua vida, na então capital do país. Complementou seus estudos e morou na ACM. Trabalhava numa firma de material elétrico, de cujo dono se tornou muito amigo, o que lhe rendeu um enxoval completo, trazido da Europa, para seu casamento com Hilda Rodrigues. Casaram em 1915 e tiveram duas filhas, Sylvia e Stella, minha mãe. Vovó era uma mulher muito serena e reservada. Tinha dons artísticos e muito bom gosto. Vovô Xavier era um homem de visão e muito econômico. Logo, juntou algum dinheiro e fundou, na década de 20, junto com um amigo, a Willman & Xavier, uma loja de lustres, louças importadas, eletro-domésticos e material elétrico. Meu avô foi um self-made man muito generoso. Generoso a ponto de construir uma casa em São Lourenço, para que seus funcionários pudessem usufruir suas férias, sem qualquer ônus. Vovó era uma grande companheira para um homem de negócios que trabalhava muito, falava muitos idiomas, mas sempre achava tempo para viajar.

Foi por essa ânsia de viajar e necessidade de descansar nos fins de semana, que vovô “descobriu” Itaipava. A serra fluminense tem um glamour que sempre atraiu, principalmente, e geralmente no verão, os cariocas praianos. O clima ameno e seco de Itaipava e arredores era ideal para o descanso e lazer das famílias que subiam a serra. Era uma época em que se dizia que a região era como se fosse uma “roça”. E, na roça, todos sabiam que a criançada podia brincar à vontade, sem os “perigos” das cidades grandes, deixando os adultos mais despreocupados e portanto, mais descansados. Vovô escolheu o terreno, por ser próximo ao rio Piabanha, na época muito limpo e assim, ser possível "molhar os pés" quando viessem nos fins de semana e férias prolongadas. A casa principal da fazenda, que ficava em seu terreno, sofreu modificações e já não lembrava a antiga fazenda Sumidouro e a estradinha que passava em sua porta era agora chamada de Estrada dos Mineiros, ou Estrada Mineira.

Alguns anos depois, meu avô, homem de visão que era, percebeu que, ali, podia criar uma hospedagem para quem quisesse descansar e aproveitar o clima e o sossego da região. Resolveu, então, construir um hotel, inspirado na arquitetura francesa, da região da Normandia, onde costumava passar suas férias.

A obra ficou pronta em 1948 e era um dos primeiros grandes hotéis de veraneio na região. Recebeu o nome de Hotel Vivenda Florilda (Flor Hilda) em homenagem à minha avó. Para se chegar ao Hotel, na época, vindo da Estrada União e Indústria, passava-se por uma ponte, atravessava-se a linha do trem e depois subia-se uma ladeira de pedras, igual as que ainda hoje vemos em Ouro Preto e Parati.

De 1950 à 1986 o lugar acolheu pessoas que queriam passar momentos de descanso, num ambiente charmoso, que ora lembrava a famosa região francesa, ora remetia àquele pouso que abrigou tantos viajantes nos séculos anteriores. O hotel tinha quartos duplos para acomodar famílias, que muitas vezes passavam um verão inteiro hospedadas. Os filhos dessas famílias iam se tornando amigos nossos e a turma ia aumentando. Nessa época o hotel produzia alguns dos alimentos usados em seu restaurante, como, verduras e legumes de sua horta e frangos, patos e coelhos de sua criação. O Hotel hospedou alguns famosos, como o maestro Radamés Gnatalli, o joalheiro Antonio Bernardo e Mara Rúbia. Em 1954 meu avô faleceu e minha mãe teve que assumir o hotel, ajudada por meu pai. Juntos, meu pai e minha mãe, fizeram construir uma piscina e outros melhoramentos.

Meu pai, que era médico, não podia se ocupar em tempo integral do empreendimento, pois mantinha suas ocupações no Rio de Janeiro e tal como meu avô, para suprir as necessidades do hotel, desde o início contratou gerentes. Naquela época, era comum ter-se gerentes estrangeiros e tivemos alguns, como o alemão Kurt que era conselheiro e pai da então gerente do Copacabana Palace. Em algum ponto da década de 70, eu, Heloisa Bentes, assumi a gerência do Florilda e continuei o trabalho que meu avô idealizou. Em 1978, tivemos a triste notícia da desapropriação de parte do terreno, para ser construída a nova Rio-Juiz de Fora, a BR- 040. Perdemos a piscina, uma casa de 4 quartos, uma quadra de volei e quase três mil metros quadrados de terreno, mas isso não me dasanimou e o hotel continuou funcionando. Após alguns anos de trabalho, replantando casuarinas e refazendo jardins, que tinham sido atingidos pelas obras da nova estrada, recebemos, em 1986, uma proposta, para transformar o hotel em uma clínica de emagrecimento. Como meu pai era médico, a idéia foi em frente e demos, à clínica, o nome de Clínica Villa Rica. Nesta ocasião, o bairro vizinho à Clinica que se chamava "Buracada", passou a chamar Vila Rica.

 

Em 2003, após a morte de meu pai, Octavio Bentes, voltamos ao tradicional caminho da hospedagem, que me é mais familiar e simpático. A partir daí, passamos a nos identificar como pousada, à qual, em homenagem à antiga estrada, dei o nome de Estalagem do Caminho Novo.

Com a mudança do nome, veio, também, a mudança no direcionamento do atendimento, que passou a ter como alvo principal, mas não exclusivo, o público GLS.

Esse segmento é, ainda hoje, carente de ambientes do tipo "família". Aqui, esse público pode se sentir à vontade e ao mesmo tempo, sentir-se em casa, em ambiente acolhedor e aconchegante. Em 2012, a pousada passou a se chamar Estalagem das Casuarinas, por conta de todas as casuarinas que plantei na época da construção da Rio-Juiz de Fora e que tanto me ajudaram a resguardar e filtrar os ruidos que vem da estrada. Atualmente continuamos com o direcionamento ao público GLS, mas somos pioneiros, em termos de pousada "straight friendly", no Brasil. Hoje em dia, ao invés de separar, a palavra de ordem é respeitar. Todos são bem vindos aqui, só importando, o respeito pelas diferenças.

Heloisa Bentes